E o mundo quase acabou

by - setembro 12, 2013

Quando vi essa propaganda, fiquei imaginando como eu reagiria. Por mais que a ideia tenha sido boa, não sei se gostaria de ver meu mundo acabando em plena entrevista de emprego: uma situação em que você supostamente está nervoso e tentando demonstrar que você é bom naquilo que faz. Resolvi, então, fazer uma crônica baseado na propaganda! Espero que vocês gostem! 

Inspirado nesse vídeo:


Estava nervosa. Ia para uma entrevista em uma das maiores empresas de tecnologia que eu conheço: a LG. Cheguei no local em que seria a entrevista. Era um dos últimos andares de um prédio alto, bem bonito. Tinham vários candidatos sentados esperando ansiosamente para uma vaga lá. Eu tinha me formado há pouco tempo e estava louca atrás de um emprego. Precisava mostrar que era melhor do que todas aquelas pessoas.

O primeiro candidato saiu da sala de entrevistas com um sorriso no rosto. Parecia estar confiante e, antes de pegar o elevador, nos desejou boa sorte, segurando uma risada. Mas que arrogância! Depois de um tempo, chamaram outro candidato, e outro, e outro. Todos saíam de lá com uma cara engraçada. Um deles até saiu rápido e xingando quem estava lá dentro. Onde já se viu? Vai mal numa entrevista e sai xingando o entrevistador? Acho que nunca vi as pessoas saírem com caras tão diferentes de uma entrevista de emprego. E eu ficava cada vez mais nervosa.

Então me chamaram. Entrei em outra salinha, menor. Um moço sentou e fez o que chamou de pré-entrevista. Estranhei as perguntas: perguntaram sobre minha saúde, histórico de doenças do coração e outras coisas desse tipo. Nunca nem imaginei responder coisas assim em uma entrevista! Passada essa fase, ele me indicou um escritório.

Entrei na sala, era como uma outra qualquer. Tinham arquivos, uma pequena árvore e a mesa em que eu me sentaria para a tão esperada entrevista. A vista da janela era maravilhosa - dava para ver vários prédios da cidade! Privilégio de ficar instalado em um andar tão alto. Se eu trabalhasse por ali, daria um jeito de não ficar de costas para a vista, como o entrevistador estava. Não perderia a oportunidade de trabalhar olhando para lá! 

Começou a entrevista. Pergunta vai, pergunta vem, o entrevistador deu uma olhada no meu currículo... Até que a vista da janela começou a mudar de cor. E muito rápido para ser mero pôr-do-sol. Quando me dei conta, vi um meteoro caindo. Era aquilo. Agora seria o fim. Eu não poderia acreditar que isso estava mesmo acontecendo! Teríamos um fim igual ao dos dinossauros. E eu morreria tentando um emprego que,no final, nem usaria, né?

Não contive um grito. O entrevistador estranhou e seguiu meu olhar para a janela. Na hora se levantou e correu da sala. Eu não podia acreditar. Fiz o que imaginava ser o mais prudente e me escondi debaixo da mesa dele e comecei a chorar e rezar. Eu não podia morrer agora! Tinha tanto para viver pela frente.

O meteoro colidiu com a Terra. O prédio começou a tremer. Via os destroços se aproximando cada vez mais do prédio. O chão tremia cada vez mais. O fim seria agora. A janela não mostrava mais nada. A luz apagou. Pelo menos seria uma morte rápida.

Foi então que eu estranhei. A luz tinha acabado. Eu não estava ouvindo mais nada. O chão não tremia mais. Será que o fim era assim? Você não sentia dor nenhuma e acordava no lugar em que você morreu? Fiquei confusa e feliz por não ter sentido nada. Tinha sido realmente rápido. E eu não me sentia em nada diferente. 

Aí a luz acendeu. Algumas pessoas, inclusive o entrevistador, entraram pela porta sorrindo. Será que o prédio tinha ficado intacto e eu não estava morta, no final das contas? Estava confusa. Eles apontaram para a janela. Quando me virei, percebi que era uma televisão. Aquilo que eu tinha visto, o desespero que eu tinha sentido não passavam de uma simulação. Não podia acreditar!

Não sabia se ficava brava ou feliz. Acho que estava feliz por ter sobrevivido ao quase-fim do mundo! Abracei todos os que aplicaram aquela pegadinha em mim. Percebi que ainda estava tremendo. Mesmo assim, não acreditava na minha sorte de ter sobrevivido. Peraí, sorte? 

Na saída, eles me pediram meu endereço e disseram que enviariam uma daquelas televisões novinhas para mim. Eu não consigo nem imaginar aonde colocaria uma daquelas televisões enormes na minha casa! Saí da entrevista (se é que podemos chamar isso de entrevista) com um sorriso estampado na face. Agora entendi o motivo daquelas expressões tão diversas ao sair das entrevistas!

Apesar de não ter sido uma entrevista real, gostei de ter vivido aquela experiência. Me sentia uma nova pessoa - pronta para recomeçar e fazer tudo do jeito certo. Afinal, a vida poderia acabar em um segundo, quando menos imaginamos, né? 


Sobre a propaganda: A propaganda foi realizada pela LG do Chile para divulgar a nova televisão de 84 polegadas (isso mesmo, 84 polegadas!) - aqui. Ela é uma continuação da campanha "So Real It's Scary" (Tão real que é assustador) criado na Superheroes, de Amsterdam. Veja os primeiros vídeos aqui e aqui.

Gostaram do texto? Confiram aqui outras crônicas! Tem alguma notícia engraçada que gostaria de ver virar crônica? Deixe o link aqui!

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8 comentários!

  1. Andrea, fantástica a propaganda e também o texto! De certa forma, tudo é uma verdade, a gente pode sair de casa e nunca mais voltar, não temos como prever... Por isso é bom viver cada dia com o máximo de intensidade!

    Abraços, Isabela.
    www.universodosleitores.com

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    1. Que bom que você gostou! Imagina que desespero ver o mundo acabar no meio de uma entrevista de emprego? :o
      Beijos!

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  2. nossa muito legal a propaganda e a sua crônica, mas o melhor foi ganhar a tv!!!!!!

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    1. Que bom que vc gostou! Eu queria ganhar a televisão hahaha

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  3. Nossa, você tem talento. rsrs

    Vi um comentário seu no meu blog e resolvi vim visitar, e olha que me apaixonei pelo seu espaço!

    Parabéns!

    Clicando Livros
    Abraço *-*

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    1. Que bom que você gostou da crônica e do blog!
      Eu adoro o seu blog! (:
      Beijos!

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