Rashomon

by - agosto 19, 2015


O que é verdade? Rashomon deixa essa pergunta no ar. Japão, há muito anos atrás. A chuva forte inunda a tela, mostrando uma construção semi destruída, mas que se mostra um bom lugar para se abrigar enquanto foge da chuva. Lá estão um sacerdote e um lenhador. O primeiro com expressão neutra, o outro desolado, sem entender o que tinha acabado de testemunhar. Quando um estranho chega a construção e percebe que terá que passar um tempo lá se protegendo da chuva, resolve entender o que aconteceu – e é então que vemos, supostamente, o que deixou o padre incrédulo e o lenhador tão desolado.

Três dias antes, o sacerdote havia visto um casal: o homem, equipado com arco e flechas, além de uma espada, guiava um cavalo em que uma mulher, coberta por um véu, montava. Pouco tempo depois, o lenhador, ao procurar lenha, encontra o chapéu com véu da mulher, e, ao caminhar mais, encontra uma corda e, enfim, o homem, morto. Mas o que aconteceu entre o momento em que o padre viu o casal e o lenhador? Isso, sim, é a principal discussão do filme. 

O forasteiro, o lenhador e o sacerdote.

Ao longo do julgamento, vemos os depoimentos (em flashbacks) da mulher; de Tajômaru, o infame, que foi encontrado com os bens do casal; e do morto, por meio de uma médium. Os fatos contados por cada um são, de início, os mesmos, mas depois divergem bastante. 

Tajômaru conta o início da história – que aparentemente é comum entre os três depoimentos. Ele viu o casal andando pela floresta, e, no momento que vê a moça, sabe que deve possuí-la. Mas ele não queria matar o homem antes de fazê-lo, pois não se considerava um assassino. Assim, fingiu que venderia armas para o homem e consegue atraí-lo para o meio da floresta. Lá, o amarra em um pinheiro, deixando-o impossibilitado de se defender. Depois, resolve mostrar para a mulher como seu marido é fraco, levando-a para onde o marido estava amarrado e, próximo ao local, consegue fazer o que queria desde o início. É a partir desse momento que os depoimentos começam a se distanciar.

O casal e Tajômaru de costas

O filme está na lista dos 100 melhores filmes, de acordo com a revista SuperInteressante, e, por conta disso, estava na minha lista de filmes para serem assistidos há algum tempo. Para quem está acostumado com filmes de Hollywood, esse é bem diferente: é um filme preto e branco japonês de 1950. Uma coisa legal é que esse filme inovou: foi um dos primeiros a realmente filmar fora do estúdio!

Platão já dizia: "não existe verdade absoluta". O filme nos remete à isso. O que realmente aconteceu no bosque? Tem a verdade que eu vejo, e aquela que você vê, mas qual é a verdadeira? O filme nos leva a uma boa reflexão sobre o assunto. Para quem não tem problemas em assistir filmes em preto e branco, e em uma língua completamente desconhecida (pelo menos para mim), vale a pena assistir!

Leia também

2 comentários!

  1. Este filme realmente não é do meu agrado, por ser em preto e branco e por ser em japonês, só consigo assistir filme legendado se a origem da língua for inglês. Mas parece ser um filme que cada um tem seu próprio entendimento dele, que faz nós refletir sobre tal assunto.

    ResponderExcluir
  2. Oi, Andreia!
    Não sou de assistir filmes - durante um período de três meses geralmente acabo assistindo apenas um filme - e apesar de ter achado o mistério interessante, esse é um filme que não assistiria pois não faz meu estilo.
    Bjos!

    ResponderExcluir

Seu comentário é muito importante! Obrigada por comentar, e aproveite sua visita!

* Os comentários são moderados, então dependem de aprovação para serem publicados.

O conteúdo do blog foi escrito e criado por mim, salvo quando sinalizado. Se for copiar, me avise e coloque os devidos créditos. As imagens e fotos, se não tiradas por mim ou criadas para o blog, foram retiradas, em sua maioria, do Pixabay. Caso seja de sua autoria, me avise para que eu coloque os devidos créditos!

Licença Creative Commons